Blog do Heu

18 janeiro, 2012

Sin City – A Cidade do Pecado

Crítica – Sin City – A Cidade do Pecado

Comprei uma edição dupla gringa de Sin City – A Cidade do Pecado em blu-ray, com duas versões do filme – além da versão que passou nos cinemas, tem a “extended”, “uncut” e “recut”. Revi a original, assim que ver a outra, compará-las-ei no TBBT. Mas, antes disso, vou falar do filme aqui.

Adaptação da graphic novel de Frank Miller, Sin City – A Cidade do Pecado mostra três histórias interligadas, envolvendo policiais corruptos, mulheres sedutoras e marginais durões, uns em busca de vingança, outros em busca de redenção.

Sin City – A Cidade do Pecado é uma das melhores adaptações da história do cinema. Aliás, nem sei se dá pra chamar de adaptação, porque às vezes nem parece filme, parece que estamos vendo na tela os quadrinhos da graphic novel.

A história disso vale ser contada. Um dos maiores nomes da história dos quadrinhos, Frank Miller não tinha um bom currículo em Hollywood. O convidaram para escrever os roteiros do fraco Robocop 2 e do ainda mais fraco Robocop 3. Miller deve ter ficado traumatizado, já que se afastou do cinema – pra que se aventurar num terreno onde não conseguiu bons resultados?

Aí apareceu Robert Rodriguez, que já tinha alguns sucessos na filmografia (A Balada do Pistoleiro, Um Drink no Inferno, Prova Final, Era Uma Vez no México). Rodriguez chamou Josh Hartnett e Marley Shelton e fez, sem ter a aprovação de ninguém, um filminho de poucos minutos, capturando o estilo da graphic novel. E perturbou Miller até conseguir mostrá-lo. Com esse curto filme, convenceu Miller a acompanhá-lo ao set e dividir com ele a cadeira de diretor. Miller pensaria nos quadrinhos da sua graphic novel, enquanto Rodriguez se preocuparia com a parte técnica.

Antes avesso a adaptações cinematográficas, Miller agora sabia que sua graphic novel tinha boas chances de virar um bom filme e finalmente aprovou o projeto.

O visual é todo estilizado. Rodriguez filmou tudo em estúdio, e acrescentou os cenários em chroma-key. O filme é preto e branco, com alguns detalhes coloridos (olhos azuis de uma personagem aqui, tênis vermelho de outro personagem ali). Mais: o preto é realmente preto, e o branco é realmente branco, criando contrastes pouco comuns no cinema (mas comuns nos quadrinhos) – o sangue é quase sempre branco em vez de vermelho (e olha que tem muito sangue, o filme é bem violento). Até alguns movimentos de câmera são como se uma câmera estivesse passando sobre a revista. Como disse, a adaptação foi fantástica, como poucas vezes vista na história do cinema.

Os créditos do filme trazem os nomes dos dois como co-diretores, mas o filme é a cara do Robert Rodriguez, que aqui fez o de sempre: além de dirigir, editou, contribuiu com a trilha sonora, coordenou os efeitos especiais, a fotografia… o cara foi até operador de câmera! Robert Rodriguez é um workaholic do cinema!

(Ainda falando de direção, Sin City – A Cidade do Pecado tem uma participação especial de Quentin Tarantino, que dirigiu a cena no carro com Clive Owen e Benicio Del Toro.)

O elenco também chama a atenção: Mickey Rourke, Clive Owen, Rosario Dawson, Jessica Alba, Elijah Wood, Rutger Hauer, Bruce Willis, Carla Gugino, Michael Madsen, Brittany Murphy, Benicio Del Toro, Michael Clarke Duncan, Devon Aoki, Jaime King, Alexis Bledel, Powers Boothe, além de Josh Hartnett e Marley Shelton (o curta feito antes por Rodriguez foi aproveitado, e abre o filme). Nada mal, não?

Claro, o filme não é para qualquer um. O ritmo quase sempre com narração em off pode cansar. Outra coisa que pode desagradar são os personagens, quase todos no limite da caricatura – todos os homens são durões, todas as mulheres são fatais e gostosonas. Pelo menos essas duas coisas ajudam a criar um clima de filme noir diferente…

Desde a época do lançamento (2005), rola um boato sobre uma continuação. Mas até hoje, sete anos depois, não há nada confirmado. Se vier, que mantenha a qualidade!

p.s.: Frank Miller tentou de novo, e, três anos depois, dirigiu The Spirit. Mas foi um fracasso. Senti falta do Robert Rodriguez.

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9 janeiro, 2012

The Doors

Crítica – The Doors

Nos anos 90 tive uma banda cover de The Doors, chamada The Windows (bom nome, não?). Rolou uma proposta pra talvez uma reunião agora em 2012. Me empolguei e peguei o filme pra rever.

Cinebiografia da banda californiana The Doors, um dos maiores nomes da música americana do fim dos anos 60 e início dos anos 70. O filme é focado no vocalista Jim Morrison, um dos ícones da época, que faleceu em 1971 com apenas 27 anos.

Dirigido por Oliver Stone e lançado em 1991, The Doors tem uma característica que é ao mesmo tempo boa e ruim: o filme é “a maior viagem”. Isso é ruim porque às vezes o filme se torna enfadonho; por outro lado, isso é bom, porque Jim Morrison era assim mesmo.

The Doors traz vários acontecimentos ligados à história e à mística da banda. Muita gente questiona se o que aparece na tela é real ou não. mas não dei muita bola para isso. O que me pareceu mais importante foi ver como um grande talento da música foi desperdiçado por causa das drogas, tão comuns na época.

O talento do diretor Oliver Stone é inquestionável. O seu problema é que muitas vezes seus filmes são chatos – Pauline Kael, uma famosa crítica norte-americana, uma vez declarou que estava feliz ao se aposentar porque não precisaria mais ver filmes de Stone. Heu particularmente acho que ele faz muitos filmes políticos – só sobre a guerra do Vietnam foram três! Este The Doors é um dos poucos filmes que nada têm a ver com política. Coincidência ou não, é o meu Oliver Stone favorito.

Val Kilmer como Jim Morrison vale um texto à parte. Talvez esta seja uma das caracterizações mais perfeitas da história do cinema. Kilmer não ficou parecido, ele ficou IGUAL a Morrison. Uma das cenas mostra a sessão de fotos de onde saiu a famosa foto de Morrison sem camisa com os braços abertos, foto usada à exaustão em posters até hoje. E na cena é Kilmer, igualzinho a Morrison. E tem mais: é Kilmer quem canta as músicas no filme. Não só a aparência física estava igual, a voz também estava. Diz a lenda que, na época, levaram gravações com a voz de Kilmer para Ray Manzarek, tecladista do Doors, e este não teria reconhecido, num teste cego, quem era o cantor e quem era o ator.

Val Kilmer é o grande nome do filme, mas não é o único conhecido. O elenco é estelar: Meg Ryan, Kyle MacLachlan, Kathleen Quinlan, Kevin Dillon, Frank Whaley, Michael Madsen, Michael Wincott, Kelly Hu e Mimi Rogers, além de algumas pontas, como Crispin Glover de Andy Warhol, e o próprio John Densmore (baterista da banda) como o técnico do estúdio, quando Morrison já está gordo e barbudo.

A trilha sonora é basicamente composta de músicas do The Doors. Pra quem curte o som da banda, é um prato cheio. Pra quem não curte, pode cansar… Pelo menos as músicas estão muito bem regravadas.

Filme obrigatório para qualquer fã de rock’n'roll!

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30 novembro, 2011

Kill Bill Vol 2

Crítica – Kill Bill Vol 2

E vamos à conclusão de uma das melhores sagas de vingança da história do cinema! Depois do sangrento Vol 1, a Noiva continua sua busca pela vingança contra o seu ex-patrão Bill, e os dois ex-comparsas que ainda estão vivos.

Como falei no post sobre Kill Bill Vol 1, a separação entre os dois filmes não é uma mera jogada de marketing, como aconteceu com o último Harry Potter, ou último Crepúsculo que está em cartaz nos cinemas – filmes que eram pra ser um só, mas resolveram lançar em duas partes para faturar em dobro. Os dois Kill Bill são bem diferentes entre si!

Se no Vol 1 tudo tinha ritmo frenético, aqui rola muito pouca ação. Na verdade, só tem uma grande luta, aquela entre Uma Thurman e Daryl Hannah – aliás, uma divertida luta, com os exageros típicos do primeiro filme (li nalgum lugar que as coreografias foram inspiradas na série Jackass). O Vol 2 tem um ritmo bem diferente, bem mais tranquilo.

SPOILERS ABAIXO!

SPOILERS ABAIXO!

SPOILERS ABAIXO!

Ouvi muitas críticas à luta entre a Noiva e Bill, a rápida luta onde é usado o golpe dos cinco pontos que explodem o coração. Mas heu particularmente achei aquilo sensacional. Durante quase quatro horas, Tarantino cria uma grande expectativa sobre o grande duelo final. E quando chega o momento, Tarantino simplesmente frustra todo mundo, jogando um balde de água fria na expectativa criada. Genial!

FIM DOS SPOILERS!

O roteiro, mais uma vez escrito pelo próprio Tarantino, é impecável. Como já é comum nos seus filmes, a linha temporal não é 100% linear, mas até que aqui são poucos os flashbacks

No elenco, Uma Thurman brilha mais uma vez no papel da vingativa Noiva. Se não tem mais Lucy Liu e Vivica A. Fox no elenco (elas aparecem rapidamente no fim da cena a igreja), aqui, no segundo filme, tem espaço para os outros astros, David Carradine, Michael Madsen e a já citada Daryl Hannah. Samuel L. Jackson faz uma ponta como o organista da igreja, e Gordon Liu faz o ótimo Pai Mei (as cenas de Pai Mei foram filmadas como velhos filmes orientais de pancadaria – muito boa a sacada!).

Na comparação com a primeira parte, porém, este Vol 2 fica para trás, na minha humilde opinião. Não que seja ruim, longe disso – mas é que prefiro o ritmo acelerado do Vol 1… Mas, enfim, os dois filmes foram feitos para serem vistos juntos!

(Existe no imdb uma página sobre um suposto Vol 3, a ser feito e lançado em 2014l. Será que vai rolar? Bem, no fim do Vol 2, existe uma interrogação no nome da Elle Driver, personagem da Daryl Hannah…)

Filmaço!

p.s.: Só falta Jackie Brown e Grande Hotel!

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20 setembro, 2011

Kill Bill Vol 1

Crítica – Kill Bill Vol 1

Continuando a filmografia de Quentin Tarantino… Pulei Jackie Brown e fui direto para Kill Bill.

Trata-se da saga de vingança da Noiva (Uma Thurman). Deixada para morrer numa sangrenta chacina no dia do seu próprio casamento, ela ficou quatro anos em coma. Quando acordou, fez uma lista das pessoas que precisa matar. E é hora de verificar cada item da lista.

Vi Kill Bill no cinema, na época do lançamento, e, desde então, ainda não tinha visto de novo. Hoje posso dizer que gostei ainda mais do que quando vi da primeira vez!

Kill Bill não é um filme pra qualquer um – é um filme pra fãs de Tarantino. O filme é cheio de exageros estilíscos – além de várias lutas com muito sangue jorrando, rolam cenas em preto e branco, coreografia em contra luz, planos-sequência com a câmera passeando pelo cenário sem cortes à la Brian de Palma – tem espaço até uma sequência em desenho animado! Tarantino aqui confirma a sua vocação de liquidificador de cultura pop e faz inúmeras citações. Faroeste italiano, filme de artes marciais, anime, trash, blaxploitation, seriados antigos, tudo isso fica consonante com as suas características habituais: diálogos afiados, edição fora da ordem cronológica e trilha sonora “cool”.

Parágrafo novo para falar da trilha sonora. Eclética, a trilha vai de Bernard Herrman até punk rock japonês, passando pela trilha sonora do seriado Besouro Verde (O Vôo do Besouro) e por músicas que lembram os temas de faroeste de Ennio Morricone. Mais uma vez, Tarantino fez uma trilha antológica, apenas usando material composto por outras pessoas.

Ah, sim, o elenco é outra coisa importante em Kill Bill. Diz a lenda que Tarantino começou a escrever o personagem da noiva junto com Uma Thurman, durante as filmagens de Pulp Fiction, quase dez anos antes. Uma está sensacional! Michael Madsen, Daryl Hannah e David Carradine têm participações pequenas, eles aparecem mais no segundo volume. Vivica A. Fox faz um papel menor, a grande coadjuvante aqui é Lucy Liu. O filme também conta com o lendário ator japonês Sonny Chiba, famoso nos anos 70 por vários filmes de artes marciais, além dos menos conhecidos Julie Dreyfuss e Chiaki Kuriama.

Por fim, vou terminar com algo que também falarei no texto de Kill Bill vol. 2. De vez em quando dividem um filme em duas partes, por razões de mercado – afinal, se eles podem ganhar dinheiro duas vezes com o mesmo filme, por que não? Um bom exemplo recente disso é o sétimo Harry Potter, que foi dividido desnecessariamente – a primeira parte é arrastada demais. Achei que Kill Bill sofreria do mesmo problema, mas, ao ver a segunda parte, vi que aqui a divisão faz sentido.

Em breve, Kill Bill Vol. 2!

p.s.: O poster fala “o 4º filme de Tarantino” – mas entre Pulp Fiction e Jackie Brown, ele dirigiu um dos segmentos do filme Grande Hotel

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25 setembro, 2010

Federal

Federal

Um filme policial nacional, com Carlos Alberto Riccelli, Eduardo Dussek e Michael Madsen no elenco? Opa! Tô dentro!

(Na verdade, o filme também é estrelado por Selton Mello. Mas, diferente dos três citados aí em cima, Selton não é novidade nenhuma no cinema nacional. Ele é o cara, e tá em todas, né?)

Dani (Selton Mello) e Vital (Carlos Alberto Riccelli) lideram um grupo de elite do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal de Brasília, para caçarem o playboy e traficante Beque Batista (Eduardo Dussek).

Dirigido por Eryk de Castro, Federal tem seus méritos, mas também tem seus defeitos. Dá pra ver que se trata de uma produção modesta, as cenas internas são mal iluminadas, a câmera às vezes treme um pouco…

Mas, na minha humilde opinião, os méritos são maiores que os defeitos!

Os atores estão muito bem. Selton Mello apresenta a eficiência de sempre, e Carlos Alberto Riccelli, cinquentão, está em ótima forma. Roberto Cano e Christovam Netto, os outros dois policiais que acopanham Selton e Riccelli, também mandam bem. Michael Madsen aparece pouco, e é o que se espera. Aliás, na cena do avião, ele solta uma frase muito boa e politicamente incorreta sobre as mulheres brasileiras.

Mas as melhores frases de efeito politicamente incorretas estão com Eduardo Dussek. Tem uma cena onde ele fala coisas como “no Brasil, as leis servem para ajudar os bandidos” e “aqui tem carnaval o ano todo (pra gente vender as drogas)”. Genial! Parabéns aos roteiristas pelos excelentes diálogos!

A parte técnica – defeito comum em boa parte da produção nacional – também não decepciona. Ok, o filme tem orçamento pequeno. Mas temos várias tomadas aéreas pela cidade e todos os tiroteios são convincentes.

Para os fãs de rock nacional 80: Philippe Seabra, ex Plebe Rude, trabalha na trilha sonora. E rola uma “cena homenagem”, onde dois policiais estão num carro, ao som de “A Ida”, da Plebe, e um fala para o outro “sangue e porrada na madrugada” (de “Vida Bandida”, do Lobão), enquanto o outro responde “polícia para quem precisa” (de “Polícia”, dos Titãs).

Enfim, boa opção na programação do Festival, e, esperamos, em breve no circuito!

18 setembro, 2008

Hell Ride

Hell Ride

Depois de À Prova de Morte, Quentin Tarantino produziu este Hell Ride, sobre gangues de motociclistas.

O filme prometia: produção de Tarantino e nomes como Michael Madsen, Dennis Hopper, David Carradine e Vinnie Jones? São elementos suficientes para um bom filme B na linha “grindhouseana”.

Prometia. Mas o ego do diretor / roteirista / ator principal Larry Bishop não deixou sair da promessa…

O fiapo de história fala da gangue de motociclistas Victors, e seus negócios e rivais. Mas é tudo muito forçado, Larry Bishop tenta copiar o estilo de Tarantino, mas sem o talento deste. Então o que podia ser “cool” fica simplesmente chato – ou mesmo ruim.

Ok, temos violência desnecessária e nudez gratuita, o que, num filme desses, melhora bastante a situação. Mas bem que o formato final podia ser mais bem cuidado…

Tarantino, cuidado com este tipo de discípulo!

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