Blog do Heu

12 novembro, 2011

A Casa dos Sonhos

Crítica – A Casa dos Sonhos

Will Atenton larga o seu emprego em uma grande editora de Nova York para se dedicar a escrever um livro, ao mesmo tempo que se muda com a esposa e as duas filhas pequenas para uma nova casa. Mas logo a família descobre que a casa foi palco de uma chacina alguns anos antes.

O diretor Jim Sheridan, famoso por filmes como Em Nome do Pai e Meu Pé Esquerdo, faz aqui uma incursão no gênero fantástico. Mas, apesar do péssimo poster sugerir, A Casa dos Sonhos não é terror – uma das falhas do filme é não se decidir sobre qual estilo faz parte. Me pareceu um thriller de suspense, mas tem algo de drama também.

Sheridan não gostou do resultado final de seu filme, chegou a pedir que seu nome fosse tirado dos créditos (o que não aconteceu). A Casa dos Sonhos realmente está um degrau abaixo de seus grandes filmes, mas não achei tão ruim a esse ponto.

Um dos acertos do filme foi a escolha do elenco. Daniel Craig e Rachel Weisz estão bem juntos – aliás, a química foi tão boa que eles se casaram depois do filme. Naomi Watts tem um papel menor, e Elias Koteas faz uma ponta de luxo. Mais uma coisa: as crianças são interpretadas por Taylor e Claire Geare, irmãs na vida real, o que ajuda na interação entre elas – boa ideia.

A ambientação é legal, muito frio, muita neve. E a casa também foi uma boa escolha. Mas o roteiro não é perfeito. A Casa dos Sonhos tem uma boa reviravolta na trama, mas achei que esta aconteceu cedo demais, rola bem no meio do filme. Isso atrapalha um pouco o ritmo, que cai na segunda parte.

Li muitas críticas negativas por aí. Talvez isso seja porque o péssimo trailer oficial traz um grande spoiler e já revela de cara esta reviravolta que citei. Fui ao cinema sem ter visto o trailer, e gostei da reviravolta. Mas se já soubesse antes, com certeza ia gostar menos do filme.

Enfim, A Casa dos Sonhos não é uma obra prima, pode-se até dizer que a ideia já foi usada antes várias vezes. Mas pode ser uma boa opção, principalmente pra quem não viu o trailer!

.

.

Se você gostou de A Casa dos Sonhos, o Blog do Heu recomenda:
A Ilha do Medo
A Órfã
Desconhecido

30 janeiro, 2011

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos

O quadragésimo primeiro filme do Woody Allen!

Depois de quarenta anos de casamento, Alfie (Anthony Hopkins) se separa de Helena (Gemma Jones) e sai em busca da juventude perdida. Arrasada, Helena passa a consultar uma vidente. Ao mesmo tempo, sua filha Sally (Naomi Watts) precisa administrar o desejo pelo seu novo chefe, Greg (Antonio Banderas), com a crise em seu casamento com Roy (Josh Brolin), um escritor picareta que fez sucesso só com seu livro de estreia e enfrenta crises criativas enquanto flerta com sua vizinha violonista Dia (Freida Pinto).

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos não é um grande filme. Allen já fez coisa melhor. Mesmo assim, não vai decepcionar seus fãs.

Parece que Allen descobriu uma boa fórmula para se fazer um filme: junte uma história simples, construa bons personagens e chame bons atores para interpretá-los. Pronto! Você pode não ter um grande filme em mãos, mas pelo menos tem um filme melhor do que a média que rola por aí. E, se a gente se lembrar que Allen está com mais de setenta anos e faz quase um filme por ano, acho que tá valendo.

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos segue esse caminho. O filme vale pelo elenco, afinal, não é todo dia que temos Anthony Hopkins, Naomi Watts, Antonio Banderas, Josh Brolin, Freida Pinto, Gemma Jones e Anna Friel juntos, né?

Já o roteiro, bem, na minha humilde opinião, acho que muitas pontas foram deixadas soltas. Custava ter dado alguns fins nas várias histórias? Muita coisa ficou sem explicação. E sem necessidade.

Achei um detalhe técnico curioso: muitas cenas são filmadas sem cortes, com uma única câmera acompanhando o diálogo. Isso faz muitos personagens ficarem de costas para a tela enquanto falam. Definitivamente, isso é incomum!

Como disse lá no começo, Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos não é uma obra prima, mas é um filme agradável e não vai decepcionar os fãs de Woody Allen.

11 fevereiro, 2009

Senhores do Crime

easternpromises

Senhores do Crime

Quem conhece o diretor canadense David Croneberg sabe que, anos atrás, ele podia ser chamado de “Cronembleargh”, devido à quantidade de cenas escatológicas presentes em seus filmes. Sua filmografia era repleta de filmes de terror ou de temática fantástica, sempre com cenas fortes, como pudemos ver em filmes como A Mosca, Videodrome ou Scanners.

Mas parece que, de uns anos pra cá, ele resolveu “amadurecer”: começou a fazer filmes mais “sérios”. Em 2005, ele nos apresentou o estranho Marcas da Violência. Digo estranho porque parece que infelizmente não consegue se identificar entre diferentes estilos: muito lento para um filme de ação, mas muito violento para um drama; muito careta pros fãs antigos, mas muito esquisito pro público mainstream.

Agora, com Senhores do Crime, Cronemberg acertou a mão. Até teve um ator indicado ao Oscar de melhor ator – quer maior prova de maturidade?

Em Londres, nos dias atuais, Anna (Naomi Watts), uma enfermeira descendente de russos, procura a família de um bebê que nasceu de uma adolescente grávida e drogada que apareceu – e morreu – no hospital. E, sem reparar, começa a se infiltrar na máfia russa.

Viggo Mortensen, o Aragorn de O Senhor dos Anéis, encontra aqui com Nikolai o seu melhor momento como ator, tanto que foi indicado ao Oscar e comparado com Robert De Niro. Nikolai sempre se identifica como “apenas o chofer”, mas aos poucos vamos descobrindo mais sobre esse fascinante e misterioso personagem. Nikolai está quase sempre acompanhado de Kirill, o espalhafatoso filho do chefe, em mais uma magnífica interpretação, desta vez pelo francês Vincent Cassel (pra quem não sabe, marido de uma tal de Monica Bellucci…).

Cronemberg também mostra que ainda sabe usar a escatologia, em diversas cenas. Mas aqui, em vez de explorar temas fantásticos como em seus filmes de outrora, explora as delicadas relações entre diferentes pessoas e diferentes culturas.

O ritmo do filme e as cenas fortes podem desagradar alguns. Mas acredito que podemos colocar esse filme ao lado de Gêmeos – Mórbida Semelhança como os melhores filmes “sérios” de Cronemberg.

Tema: Rubric. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.