Blog do Heu

19 dezembro, 2011

Missão: Impossível

Crítica – Missão: Impossível

Agora no fim do ano estreia o quarto filme da série Missão: Impossível. Pensei que era uma boa oportunidade para rever os outros três.

Durante uma missão em Praga, um grupo de agentes especiais cai em uma cilada. Ethan Hunt (Tom Cruise), um dos únicos sobreviventes, escapa e tenta desvendar a trama por conta própria.

Missão: Impossível é uma adaptação de seriado, e também um veículo de ator, um “filme do Tom Cruise”. Mas, antes de tudo, heu considero um filme do diretor Brian De Palma.

Já falei aqui o quanto sou fã do Brian De Palma. Disse antes e repito: De Palma é um dos últimos artesãos do cinema. Cada ângulo, cada tomada, tudo é bem cuidado e bem pensado para aparecer bem na tela. Cada plano-sequência, cada travelling, cada câmera lenta, tudo no filme nos mostra que tem alguém com muito talento por trás das câmeras, que se preocupou com cada fotograma do filme. Algumas sequências são simplesmente sensacionais – aquela onde Cruise fica pendurado dentro da sala do computador se tornou um dos momentos mais marcantes do cinema dos anos 90!

Mesmo assim, Missão: Impossível não decepciona como veículo de ator. Cruise assume a responsabilidade e não faz feio como protagonista. Se seu papel não exige muito no lado dramático, o faz no lado físico. Cruise corre, pula, se pendura e faz acrobacias, e não faz feio.

O filme ainda tem vários coadjuvantes legais. O elenco conta com Jon Voight, Ving Rhames, Jean Reno, Henry Czerny, Vanessa Redgrave, um Emilio Estevez não creditado (não entedi o motivo) e uma Emanuelle Béart belíssima, como poucas vezes se viu em Hollywood.

A trilha sonora usa um dos melhores temas de seriado da história. O tema em 5/4 composto por Lallo Schiffrin é bem utilizado, tanto na sua versão original, quanto numa nova versão adaptada por Danny Elfman.

Missão: Impossível não é unanimidade, o povo mais cabeça vai achar pop demais. Mas, pra quem curte filmes de ação (o meu caso), é um dos melhores filmes dos anos 90 dentro do estilo. O filme foi um grande sucesso e abriu portas para as continuações. Em breve falo aqui dos outros filmes!

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Trovão Tropical
Batida Policial

9 março, 2011

Redacted / Guerra Sem Cortes

Filed under: Brian de Palma,Câmera Subjetiva,Guerra — Helvecio @ 8:40 pm

Redacted / Guerra Sem Cortes

Há tempos heu adiava este último Brian de Palma. Alguma coisa já me dizia que este não era um dos seus melhores filmes…

Redacted acompanha um grupo de soldados na Guerra do Iraque, na mesma época que foi registrado o estupro seguido de morte de uma adolescente iraquiana e o assassinato de várias pessoas de sua família por alguns soldados do Exército dos Estados Unidos.

Redacted é mais um “documentário fake”, usando câmera subjetiva, como se fosse filmado pelos próprios atores. Não tenho nada contra o estilo, o problema é que o talento de De Palma foi completamente desperdiçado.

Brian de Palma é um dos poucos artesãos do cinema contemporâneo. Há pouco falei de seu O Pagamento Final, um filme onde parece que ele tem cuidado com cada plano, cada fotograma. Dá pena ver um cara com um talento desses brincando de câmera subjetiva…

O que ficou interessante na edição é que várias fontes são usadas para montar a história. Além do diário gravado pelo soldado americano, temos imagens de um documentário francês, trechos de reportagens da tv local, vídeos tirados do youtube, e até um video de extremistas publicado na internet.

O filme é uma pesada crítica à postura do exército americano na Guerra do Iraque. Isso não pegou muito bem lá nos EUA, mas aqui no Brasil não me pareceu nada demais – acho que, por aqui, ninguém nunca levou a sério esse papo de “estamos procurando armas de destruição em massa”…

Como todo filme de “realismo fake”, Redacted não traz atores famosos. Os rostos desconhecidos fazem um bom trabalho.

É curioso notar que o formato de Redacted é bem parecido com o laureado Guerra ao Terror, vencedor do Oscar de melhor filme, direção e roteiro de 2009. E Redacted, de dois anos antes, foi ignorado…

Mais um comentário: ao terminar o filme,vemos uma série de fotos, supostamente reais, de vítimas da guerra. Olha, se eram reais ou não, pouco importa. Mas com certeza eram desnecessárias…

Este filme é de 2007, e nunca foi lançado aqui no Brasil. Segundo o imdb, só passou aqui no Festival do Rio de 2008. Ok, o filme não tem muito apelo comercial, mas é do Brian de Palma, caramba! Merecia ser lançado, nem que fosse direto em dvd!

O que é estranho é que De Palma não fez nada depois deste filme. Brian, cadê você? Estamos com saudades! Volte logo! :-)

25 fevereiro, 2011

O Pagamento Final

O Pagamento Final

Outro dia, numa comunidade do orkut, me sugeriram um texto sobre este O Pagamento Final, clássico mais ou menos recente (de 1993) de Brian De Palma. Heu já tinha o dvd em casa, e estava esperando uma desculpa pra rever o filme…

Carlito Brigante, um ex-traficante portorriquenho que acabou de sair da prisão, briga para ficar longe das drogas e da violência, enquanto todos por perto parece que querem trazê-lo de volta ao submundo do crime.

O Pagamento Final (Carlito’s Way, no original) é uma aula de cinema. O diretor Brian De Palma estava inspirado, são várias as sequências antológicas, onde ele exibe uma exímia técnica com a câmera na mão. Fica até difícil escolher um trecho favorito – heu citaria como exemplo dessa habilidade técnica toda a sequência da estação de trem.

De Palma já tinha mostrado esse cuidado no visual das suas produções nos anos anteriores, em filmes como Vestida Para Matar (1980), Um Tiro na Noite (81), Dublê de Corpo (84) ou Os Intocáveis (87). Nos anos 90 ele fez menos filmes memoráveis, mas acho que ainda podemos citar Síndrome de Caim (92) e Missão Impossível (96) como bons exemplos.

Aqui ele abusa. A câmera passeia pelos atores em longos planos-sequência ao longo de todo o filme, e vários ângulos inusitados são usados. E isso porque nem estou falando da bem cuidada reconstituição de época, nem da excelente trilha sonora, repleta de clássicos da era da discoteca.

O elenco é liderado por um também inspirado Al Pacino, que convence como o ex-traficante arrependido. Sean Penn, com visual diferente, de cabelos enrolados, também está ótimo, e Penelope Ann Miller nunca esteve tão bonita. O elenco ainda traz Luiz Guzman e John Leguizamo. Tem mais: hoje Viggo Mortensen é uma estrela; nessa época, ele ainda era coadjuvante – ele é Lalin, o paraplégico.

De Palma anda meio sumido – seu último filme foi Redacted, de 2007, nunca lançado por aqui. O Pagamento Final não foi seu último filme memorável, ele ainda fez Femme Fatale em 2002, outro filme que é uma aula de cinema. Nós, fãs de cinema, esperamos que ele volte aos bons tempos, com vários filmaços por década!

11 março, 2009

Femme Fatale

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Femme Fatale

Tem muita gente burocrática trabalhando no cinema. Mas, pra nossa sorte cinéfila, tem uma meia dúzia que realmente faz arte. Brian de Palma é um desses caras.

Seu currículo é impressionante: Os Intocáveis, Dublê de Corpo, Scarface, Carrie, A Estranha, O Pagamento Final, Um Tiro na Noite, Vestida Para Matar… e ainda tem mais um monte de coisas boas! Não é à toa que tem gente por aí que o compara a Alfred Hitchcock…

Bem, em 2002, depois de um dos poucos filmes fracos de seu currículo – Missão Marte, De Palma nos deu essa pequena obra prima: Femme Fatale.

A trama é rocambolesca, como todo bom filme “depalmiano”. Rebecca Romijn-Stamos interpreta uma ladra de jóias que ganha uma chance de deixar o passado para trás, até ser fotografada pelo papparazzo Antonio Banderas. (Aliás, a modelo que está com a jóia no início do filme é a Rie Rasmussen!)

Mas, calma! Nada é tão simples!

Cada detalhe do roteiro tem uma explicação. Ao fim do filme, com uma espetacular virada de rumo, descobrimos que nem tudo é o que parece… Dá vontade de rever o filme – o que heu fiz! E assim pude constatar várias coisas que a princípio passam desapercebidas…

E não é só o roteiro que é bem feito. De Palma mostra que  fazer cinema pode ser uma tarefa próxima a de um artesão. Muita câmera lenta, ângulos não usuais, telas divididas, flashbacks… Algumas cenas são belíssimas!

Outro ponto forte do filme é a atriz Rebecca Romijn-Stamos. Dona de uma beleza estonteante, ela realmente entrou no clima sexy exigido pelo filme – mulheres fatais, diamantes, sexo e assassinato fazem parte da trama. Inclusive, em um dos extras, ela explica a cena do mergulho, onde, totalmente nua, teve que mergulhar diversas vezes, até conseguirem o resultado da câmera lenta mostrado nas telas.

Filmaço. Pra se ver e rever. E dizer “é verdade, eu não tinha reparado!”

10 fevereiro, 2009

Dublê de Corpo

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Dublê de Corpo

Ao filmar Vestida para Matar, em 1980, Brian de Palma precisou usar uma dublê de corpo para as cenas de Angie Dickinson. Daí veio a idéia para o filme Dublê de Corpo, lançado em 84.

Jake, um ator desempregado – que faz o papel de um vampiro num filme B, mas como tem claustrofobia, não consegue ficar dentro do caixão – é despejado da casa da namorada. Sem trabalho e sem ter onde morar, consegue ficar de favor numa mansão de uma amigo de um amigo. E melhor, num clima hitchcockiano, ele observa através de uma luneta uma vizinha que faz strip tease todos os dias.

Isso é só o começo de uma trama rocambolesca bem ao estilo do Brian de Palma, que também nos deu Um Tiro na Noite, Scarface, Os Intocáveis, O Pagamento Final, Olhos de Serpente, Femme Fatale, e, mais recentemente, Dália Negra. Como diz o cartaz: “Não acredite em tudo o que vê!”

Apesar do visual do filme estar um pouco datado, a trama continua “redondinha”. O elenco, encabeçado por Craig Wasson, é quase todo de rostos pouco conhecidos – a exceção é Melanie Griffith, num papel chave importantíssimo.

Tenho um trauma terrível relacionado a esse filme. Vi no cinema no fim dos anos 80, achei sensacional, e quando a Globo anunciou que ia passar, programei o videocassete para gravar e rever. Heu nunca devia ter feito isso, foi uma das maiores decepções da minha vida! Não só o filme estava completamente cortado (o trecho onde Jake vai participar de um filme pornô, com a música Relax no fundo, parecia um videoclip), como, na cena inicial, foi tirado um pedaço do filme e incluído um pedaço de outro filme!!! Quando Jake chega em casa, vai até o quarto e vê a sua namorada transando com outro, em vez disso tinha uma mulher deitada coberta por um lençol!!! Nunca soube de falta de respeito igual depois do fim da ditadura!!!

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