Blog do Heu

16 fevereiro, 2011

Bravura Indomita

Bravura Indômita

E, mais uma vez, o novo filme dos irmãos Coen está badalado para ganhar vários prêmios no Oscar, como aconteceu com Onde os Fracos Não Têm Vez, que ganhou quatro estatuetas em 2008 (filme, direção, roteiro e ator coadjuvante).

Com apenas 14 anos de idade, a adolescente Mattie Ross está determinada a encontrar o bandido Tom Chaney, assassino de seu pai, e vingar a sua morte. Para tal, contrata um xerife durão, o velho e beberrão Reuben J. “Rooster” Cogburn, e o acompanha numa caçada no meio das terras indígenas. O Texas Ranger LaBoeuf acaba se juntando aos dois, formando um improvável trio.

Admito que não sou muito fã de westerns, mas reconheço que Bravura Indômita é muito bom.Infinitas vezes melhor que o decepcionante Um Homem Sério, o penúltimo filme dos irmãos Coen. Está concorrendo a 10 Oscars. Se vai ganhar, não sei. Mas se levar alguns prêmios pra casa, não será injusto.

É uma refilmagem, mas não é. Explico. Essa mesma história foi filmada em 1969, com John Wayne no papel de Rooster Cogburn. Mas esta nova versão não se baseia no filme antigo, e sim no livro de Charles Portis. Ou seja, é um novo roteiro, não é exatamente uma refilmagem…

O roteiro é dos irmãos Coen, mas não parece muito. Senti falta de situações e personagens esquisitos. Bem, tem alguns, como a hilária cena do cara vestido de urso; ou Harold, o bandido que imita animais. Mas, para os criadores do Grande Lebowski, achei pouco!

Falando em Lebowski, Jeff Bridges está ótimo, como sempre. Mas o filme é da pequena Hailee Steinfeld. Com apenas 14 anos, ela mostra firmeza nos diálogos bem escritos pela dupla de irmãos, e se destaca em um filme contracenando com veteranos como Bridges e Matt Damon. E não sei por que o nome do Josh Brolin tem destaque – seu personagem é importante, mas sua aparição na tela é bem pequena.

Precisamos ainda citar o bom trabalho de Roger Deakins na fotografia, usando belíssimos planos de paisagens de faroestes; além da bem colocada trilha sonora de Carter Burwell.

Na minha humilde opinião, Bravura Indômita não é um dos melhores da excelente filmografia dos irmãos Coen – talvez seja pelo fato já citado que não gosto muito de westerns. Mas, indubitavelmente, trata-se de um grande filme!

8 novembro, 2010

Crimewave – Dois Herois Bem Trapalhões

Filed under: Comédia,Humor Negro,Irmãos Coen,Sam Raimi — Helvecio @ 9:31 pm

Crimewave – Dois Herois Bem Trapalhões

Às vezes acho que tem uns filmes que só heu conheço e mais ninguém no mundo. Crimewave – Dois Herois Bem Trapalhões, comédia que o Sam Raimi fez em 1985, logo após o primeiro Evil Dead, é assim. Vi no cinema, numa sessão única numa maratona diurna do Estação Botafogo, e tempos depois comprei o vhs original. Detalhe: não conheço mais ninguém que viu este filme!

Claro que Crimewave não foi lançado em dvd no Brasil. Achei num site americano e encomendei um pra mim. O dvd é chinês! E olha que estamos falando de um filme dirigido por Sam Raimi e com roteiro dos irmãos Coen!

Esta estranha comédia de humor negro conta história de Vic, um típico loser que está prestes a ir para a caderia elétrica por um crime que não cometeu. Ele conta em flashbacks a sua história bizarra, envolvendo personagens ainda mais bizarros.

Mas o mais importante aqui não é a história, e sim como ela é contada. Crimewave – Dois Herois Bem Trapalhões tem cara de desenho animado! O humor negro, o estilo caricato dos personagens, tudo aqui lembra aqueles desenhos antigos como Tom & Jerry e Pica Pau.

Claro que este filme não é para qualquer um. Precisa estar no clima de ver um filme com atores de carne e osso, mas com humor de desenho animado. Mas, no clima certo, Crimewave – Dois Herois Bem Trapalhões é divertidíssimo!

O elenco está todo propositalmente caricato – já viu desenho animado neste estilo com personagens “reais”? No elenco principal, nenhum nome de ponta. Bruce Campbell, claro, faz um papel canastrão, e Brion James, que fizera Blade Runner três anos antes, é um dos assassinos. Mas, entre as participações especiais, dá pra gente ver os roteiristas Joel e Ethan Coen como dois repórteres, e Frances McDormand é uma das freiras mudas.

Por fim, preciso falar que o nome em português é uma das piores traduções da história do cinema. Brasileiro. Como assim, “dois herois”??? Só tem um! Ou será que o título se refere aos dois vilões? Tudo bem que “Onda de Crimes” não é o melhor dos nomes, mas pelo menos é coerente com a trama…

p.s.: A capa do dvd que comprei é tão horrorosa quanto o título em português.Também não tem nada a ver com o filme! Olhem aqui embaixo:

10 maio, 2010

Um Homem Sério

Um Homem Sério

Opa! Filme novo dos irmãos Coen! Já? É, parece que eles entraram num ritmo “woodyalleniano” de um filme por ano… Mas, diferente dos últimos, Um Homem Sério não é bom. Infelizmente!

Neste drama de humor negro, tudo na vida de Larry Gopnik parece que está indo errado. Problemas no trabalho, sua esposa quer o divórcio, seu irmão problemático está morando no seu sofá, ele está sem dinheiro e ainda tem problemas com a religião.

Fico me imaginando o que diabos aconteceu com os irmãos Coen. Os caras sempre fizeram filmes bons. Em 2007, foram reconhecidos pela academia com Oscars de melhor roteiro, melhor filme e melhor direção para Onde Os Fracos Não Têm Vez. No ano seguinte, fizeram o leve e divertidíssimo Queime Depois de Ler. E agora, em 2009, veio este Um Homem Sério. Parte da crítica até gostou. Mas heu não – pra mim, foi uma das maiores decepções dos últimos tempos.

Sabe quando acaba um filme e você não sabe exatamente o que viu? Pois isso acontece com Um Homem Sério. Pra começar, rola um prólogo, em outra língua (acho que é hebraico), em outro formato de tela, e com uma historinha que nada tem a ver com o filme em si.

Aí rola o filme. Acompanhamos aquela família judia de losers, e o desenvolvimento em si nem é ruim. Mas ficamos esperando para ver onde aquela trama nos levará.

Falei que o filme tem uma introdução sem sentido, né? Pois bem, o fim do filme é ainda pior. Acaba do nada, assim, de repente. Se não viessem os créditos, heu ia achar que estava faltando um dos rolos do filme. E ainda esperei acabarem os créditos, pra ver se tinha alguma conclusão depois. Nada…

No elenco, diferente do habitual nos filmes dos irmãos Coen, quando vemos vários rostos conhecidos, praticamente só temos atores obscuros: Michael Stuhlbarg, Richard Kind, Aaron Wolff, Fred Melamed, Sari Lennick, Jessica McManus, Peter Breitmayer, Amy Landecker, David Kang, Adam Arkin. Os atores estão bem, mas senti falta de personagens bizarros e esquistões – uma das especialidades dos irmãos roteiristas/diretores. Ah, para os fãs da série The Big Bang Theory, Simon Helberg, o Wolowitz, faz um pequeno papel como um rabino júnior.

Até acredito que exista algo de interessante que não reparei no filme. Aliás, o filme está bem cotado no imdb, está com nota 7.3, e tem gente dizendo que é pouco. Olha, discordo dessas pessoas. Não consegui ver nada disso. Pra mim, trata-se do pior filme dos irmãos Coen. De longe!

Joel e Ethan Coen têm uma boa reputação, fizeram vários bons filmes, acumulam prêmios na carreira. Não acredito que este filme os queimará. Mas heu não faria a mesma afirmação se estivéssemos falando de alguém em início de carreira.

27 outubro, 2009

O Homem Que Não Estava Lá

homemquenaoestavala

O Homem Que Não Estava Lá

Acho que este era o único filme dos irmãos Coen que heu nunca tinha visto… Agora “completei a página do álbum de figurinhas!”

O barbeiro Ed Crane sabe que sua esposa o trai com o seu chefe, então resolve chantageá-lo para investir o dinheiro, mas o plano dá errado e as coisas saem do controle.

A fotografia do filme, em preto e branco, é muito bonita; e a reconstituição de época é muito bem feita. Os personagens também são muito bem construídos, assim como o desenvolvimento da trama – como aliás acontece sempre nos filmes dos irmãos Joel e Ethan Coen.

Aliás, por falar nisso, vale ressaltar o grande talento dos Coen em extrair ótimas performances de seus atores. Billy Bob Thornton encabeça um elenco cheio de atores legais, como Frances McDormand, James Gandolfini, Richard Jenkins, Tony Shalhoub, Michael Badalucco e uma Scarlett Johansson ainda adolescente.

Confesso que não gostei muito do fim do filme. Achei que a trama poderia ter se resolvido de maneira diferente.

Não é uma obra prima, mas definitivamente merece estar na prateleira ao lado dos outros filmes dos irmãos Coen.

21 maio, 2009

Matadores de Velhinha

matadores de velhinha

Matadores de Velhinha

O professor G. H. Dorr aluga um quarto numa casa e monta uma estranha gangue para executar um perfeito roubo a um cassino. Ele pensa em todos os detalhes, menos na proprietária da casa…

O que faz essa simples e despretensiosa comédia de humor negro ser tão divertida? Acredito que a resposta está nos personagens, bizarros e caricatos na medida certa. O que, aliás, é uma característica dos filmes dos irmãos Coen, vide o genial O Grande Lebowski

Quase todos os personagens aqui estão ótimos. Um Tom Hanks dentuço faz um professor Dorr perfeito, com suas frases pomposas e seu riso nervoso. Irma P. Hall também está ótima como a dona da casa, super religiosa, desconfiada e mal-humorada. J. K. Simmons (que também está em Queime Depois de Ler), Tzi Ma e Ryan Hurst estão no tom exato com seus personagens bizarros que copõem a gangue. O “quase” que escrevi lá em cima é porque talvez Marlon Wayans esteja um pouco “over”, com uma atuação mais com cara de Todo Mundo em Pânico do que algo feito pelos irmãos Coen…

Além do desfile de personagens legais, outros elementos do filme também têm a cara dos irmãos Coen, como o cenário no sul dos EUA, a ênfase na trilha sonora (desta vez usando a música gospel da igreja) e o roteiro com uma progressão de eventos tipicamente “coeniana”.

Esta é uma refilmagem de um filme homônimo, de 1955, estrelado por Alec Guiness. Não vi o original, então não posso compará-los, infelizmente…

Matadores de Velhinha não vai mudar a vida de ninguém. Mas pode ser uma boa diversão, principalmente para aqueles que gostam de humor negro!

11 fevereiro, 2009

Onde os fracos não têm vez

onde-os-fracos-nao-tem-vez

Onde os fracos não têm vez

Onde os fracos não têm vez, o novo filme dos irmãos Joel e Ethan Coen (de Fargo, O grande Lebowski, Na Roda da Fortuna, Arizona Nunca Mais, Gosto de Sangue, Ajuste Final, E aí meu irmão cadê você, etc.), foi o grande vencedor do Oscar de 2008: melhor filme, diretor, ator coadjuvante e roteiro adaptado. Merecido!

Num clima meio western (apesar de se passar nos anos 80), o caçador Llewelyn Moss (Josh Brolin, aquele, de Goonies, que antes esteve em Planeta Terror e agora em 2009 concorre a ator coadjuvante por Milk) encontra por acidente o cenário de um verdadeiro massacre: vários carros, vários corpos, várias armas e uma quantidade enorme de drogas. Mais: encontra, um pouco afastado, um outro cadáver, com uma maleta cheia de dólares. Enquanto isso, um homem misterioso e mau, muito mau, começa a perseguí-lo. Este é Anton Chigurh, magistralmente interpretado por Javier Bardem, que já ganhou Globo de Ouro e o Oscar de melhor ator coadjuvante.

O filme é lento, e, diferente do habitual dos Coen, não tem muito humor. Ainda temos outros ótimos personagens, como o velho xerife interpretado pelo Tomy Lee Jones, e algumas cenas geniais – isso sim, marca registrada dos Coen.

O fim do filme desagradou a maioria dos espectadores, mas não tira o brilho da obra. E agora os irmãos roteiristas e diretores leveram mais umas estatuetas pra casa, de filme, direção e roteiro, pra guardar ao lado da de roteiro por Fargo

10 fevereiro, 2009

O Grande Lebowski

biglebowski

O Grande Lebowski

Um filme pode ter mais forma do que conteúdo e ser bom? Na minha opinião, sim!

Costumo lembrar de dois filmes legais onde a forma é mais importante que o conteúdo: Delicatessen e O Grande Lebowski, dos irmãos Joel e Ethan Coen (dirigido por um, produzido pelo outro, escrito pelos dois), que antes nos deram pérolas como Fargo, Arizona Nunca Mais e Na Roda Fortuna, dentre outros, e ano passado ganharam o Oscar de melhor diretor por Onde os Fracos Não Têm Vez.

Jeffrey Lebowski é um cara largadão. Desempregado, sua vida é jogar boliche, ouvir Creedence, beber white russian e fumar maconha. Inclusive, detesta ser chamado de Jeffrey, prefere simplesmente “The Dude”. Até que um dia é confundido com um milionário homônimo, o seu tapete é danificado e sua vidinha simples é virada ao avesso…

O Dude é maravilhosamente interpretado por Jeff Bridges. Tanto que existe uma convenção nos EUA, a Lebowski Fest, só de fãs do seu estilo de vida (do personagem, não do ator!).

E todos os outros personagens são ótimos, caricatos ao extremo, interpretados de maneira deliciosa por atores-assinatura dos irmãos Coen. John Goodman faz Walter, um veterano do Vietnã estressado e brigão; Steve Buscemi é Donny, o aéreo parceiro de boliche; John Turturro é o sensacional e caricato Jesus, rival no boliche. E tem mais: Julianne Moore, Tara Reid, Philipp Seymour Hoffman, David Huddlestone, Sam Elliot, Ben Gazarra, David Thewlis… O desfile de bons atores em papéis geniais parece interminável!

Detlhe para duas pontas interessantes: o niilista baixinho é Flea, baixista do Red Hot Chilli Peppers; enquanto a coadjuvante no filme Longjammin é Asia Carrera!

Assim, entre personagens estranhos e situações esquisitas, nosso amigo Dude vai se envolvendo com situações cada vez mais bizarras e engraçadas. E, cada vez mais, ele quer se livrar disso tudo e voltar a sua vidinha simples…

27 dezembro, 2008

Queime depois de ler

burnafterreading

Queime depois de ler

Deve ser legal ser um “irmão Coen”. No início deste ano eles ganharam 3 Oscars cada um – melhor filme, melhor direção e melhor roteiro – pelo excelente e denso filme Onde os Fracos não têm vez, pra fazer companhia ao Oscar de roteiro por Fargo, que eles levaram em 96.

E o que os caras fazem logo depois? Este divertidíssimo Queime depois de ler!

A trama é rocambolesca. Um agente da CIA é demitido, e começa a escrever suas memórias. Ao mesmo tempo, sua mulher pede o divórcio e o expulsa de casa. Um casal de funcionários de uma academia encontram um cd com informações do ex-agente e acham que é coisa séria. A funcionária da academia começa a ter um caso com o amante da ex-mulher do ex-agente. E por aí vai…

Mas, apesar de aparentar complicada, a trama “desce” fácil, num curto filme de pouco mais de hora e meia de projeção. Ponto para o roteiro, enxuto, muito bem escrito.

Todos os que acompanham a carreira dos Coen sabe que na verdade este filme tem muito mais a ver com os filmes deles do que o laureado Onde os Fracos não têm Vez. Trama rocambolesca e cheia de humor é algo que não falta!

(Até alguns ano atrás, os irmãos Joel e Ethan Coen se dividiam nos créditos, um ficava como “diretor” enquanto o outro como “roteirista”. Mas diziam que eram sempre os dois juntos… Bem, aqui os dois estão creditados como diretores e roteiristas!)

Outro dos pontos altos é o elenco. George Clooney, Brad Pitt, John Malkovich, Frances McDormand, Tilda Swinton, Richard Jenkins, todos estão ótimos em seus papéis. É até difícil saber se alguém se destaca. Talvez Pitt mereça uma “menção honrosa” pelo seu inocente e ingênuo funcionário de academia…

Esse vale o ingresso! Nem que seja pra queimar depois…

Tema: Rubric. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.