Senhores do Crime

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Senhores do Crime

Quem conhece o diretor canadense David Croneberg sabe que, anos atrás, ele podia ser chamado de “Cronembleargh”, devido à quantidade de cenas escatológicas presentes em seus filmes. Sua filmografia era repleta de filmes de terror ou de temática fantástica, sempre com cenas fortes, como pudemos ver em filmes como A Mosca, Videodrome ou Scanners.

Mas parece que, de uns anos pra cá, ele resolveu “amadurecer”: começou a fazer filmes mais “sérios”. Em 2005, ele nos apresentou o estranho Marcas da Violência. Digo estranho porque parece que infelizmente não consegue se identificar entre diferentes estilos: muito lento para um filme de ação, mas muito violento para um drama; muito careta pros fãs antigos, mas muito esquisito pro público mainstream.

Agora, com Senhores do Crime, Cronemberg acertou a mão. Até teve um ator indicado ao Oscar de melhor ator – quer maior prova de maturidade?

Em Londres, nos dias atuais, Anna (Naomi Watts), uma enfermeira descendente de russos, procura a família de um bebê que nasceu de uma adolescente grávida e drogada que apareceu – e morreu – no hospital. E, sem reparar, começa a se infiltrar na máfia russa.

Viggo Mortensen, o Aragorn de O Senhor dos Anéis, encontra aqui com Nikolai o seu melhor momento como ator, tanto que foi indicado ao Oscar e comparado com Robert De Niro. Nikolai sempre se identifica como “apenas o chofer”, mas aos poucos vamos descobrindo mais sobre esse fascinante e misterioso personagem. Nikolai está quase sempre acompanhado de Kirill, o espalhafatoso filho do chefe, em mais uma magnífica interpretação, desta vez pelo francês Vincent Cassel (pra quem não sabe, marido de uma tal de Monica Bellucci…).

Cronemberg também mostra que ainda sabe usar a escatologia, em diversas cenas. Mas aqui, em vez de explorar temas fantásticos como em seus filmes de outrora, explora as delicadas relações entre diferentes pessoas e diferentes culturas.

O ritmo do filme e as cenas fortes podem desagradar alguns. Mas acredito que podemos colocar esse filme ao lado de Gêmeos – Mórbida Semelhança como os melhores filmes “sérios” de Cronemberg.

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