Melancolia


Crítica – Melancolia

Mais uma picaretagem assinada por Lars von Trier…

O filme é dividido em duas partes, além de um prólogo apenas com imagens soltas, em câmera lenta. A primeira parte mostra a festa de casamento de Justine (Kirsten Dunst) num suntuoso castelo; a segunda mostra Justine e sua irmã Claire (Charlotte Gainsbourg) às vésperas de uma possível catástrofe: o planeta Melancolia está se movendo em rota de colisão com a Terra.

Analisemos por partes. O prólogo até tem algumas imagens bonitas. Mas são uns oito minutos de imagens em câmera lenta, sem diálogos, sem história. Na boa, cansa. Pra piorar, vemos várias imagens do fim do mundo, e heu achava que aquilo ia ser explicado no fim do filme. Nada. Algumas das imagens continuam sem nenhum sentido – uma delas mostra a casa com três corpos celestes em cima, um ao lado do outro, como se fosse a Lua, o planeta Melancolia, e, talvez, o Sol, mas ao lado, como se fossem 3 órbitas paralelas – wtf?

Depois o filme começa de fato. A primeira parte, que mostra a festa de casamento de Justine, nem é tão ruim. Claro, rolam aqueles lances “vontriescos”, câmera trêmula na mão e algumas situações meio forçadas – se John foi capaz de fazer as malas da sogra e levá-las pra fora, por que as traria de volta? E por que o recem casado Michael desistiria de sua recem esposa, logo no dia do casamento? Mas o talento do bom elenco segura a onda – além de Dunst e Gainsbourg, ainda temos Kiefer Sutherland, Alexander Skarsgård, Charlotte Rampling, John Hurt, Udo Kier e Stellan Skarsgård. Tipo assim, não temos muita história pra contar, então soltemos o improviso dos atores. Não ficou uma obra prima, mas “passa”.

Tudo piora na segunda (e última) parte. Numa festa de casamento há espaço para improvisos de atores; mas como a trama agora gira em torno da aproximação do planeta Melancolia, o filme se perde completamente. Tudo fica excessivamente monótono.

Melancolia é menos ruim que Anticristo. Pelo menos aqui tem algo aproveitável, algumas cenas têm o visual bonito, principalmente na parte final, quando aparece o planeta Melancolia.

Mas, assim como em Anticristo tinha uma cena de sexo explícito gratuita e desnecessária, mais uma vez, Lars von Trier se baseia na polêmica pra divulgar seu filme. Aqui rola um rápido nu frontal de Kirsten Dunst também gratuito e desnecessário – não que heu esteja reclamando, longe disso, mas a cena é completamente fora do contexto. Parece que foi colocada lá apenas pra chamar a atenção.

E parece que uma cena de nudez não era o suficiente para a polêmica pretendida por Lars von Trier. Depois da exibição de Melancolia no Festival de Cannes deste ano, von Trier deu uma entrevista onde se declarou nazista. Claro que logo depois pediu desculpas, mas o seu objetivo foi alcançado: mais uma polêmica levou seu nome para todos os jornais e sites de notícias…

Von Trier precisa disso, porque seu filme não se sustenta sozinho. E o pior é que essa ideia me pareceu interessante, um planeta, maior que o nosso,  em rota de colisão com a Terra. Acho que essa história nunca rolou no cinema – pelo menos não me lembro – de um choque causando a destruição total do planeta. Por incrível que pareça, esse é um filme que seria melhor se fosse dirigido por um cara como Roland Emmerich, alguém pop, mais ligado em filmes-catástrofe. Ia ser interessante explorar o lado científico-catastrófico aqui… Mas, com o Lars von Trier, esqueçam isso…

Enfim, o Blog do Heu não recomenda! Tem filme melhor por aí, e de diretores que merecem a nossa atenção!

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7 pensamentos sobre “Melancolia

  1. DanielFGS 22 julho, 2011 às 11:12 am Reply

    Olha,eu não tenho nada contra cenas de:Sexo gratuito,nudez gratuita ou violencia gratuita.Mas se o Lars von Trier não sabe fazer bons roteiros de filmes sérios,então por que ele não vira logo um diretor de filmes porno.Tem produtoras que adorariam essa sua criatividade para criar cenas de sexo explicito e sem sentido.

  2. Filipe Marcena 5 agosto, 2011 às 4:05 am Reply

    Esse filme não é sobre o fim do mundo, cara. É obviamente sobre depressão. Assista de novo, Lars von Trier tem coisas mais interessantes a dizer do que Roland Emmerich.

  3. Marcos 11 setembro, 2011 às 1:02 am Reply

    Realmente o filme é sutil e não consegue ser interpretado se formos olhar apenas ao que foi objetivamente exposto.

  4. vida 15 outubro, 2011 às 11:52 pm Reply

    Pior filme que eu assisti…

    Historia vaga, roteiro confuso, direção “nauseante”…

    …se vc for assistir tome um plasil 1/2 h antes (serio).

  5. paloma 18 novembro, 2011 às 3:03 am Reply

    Assisti o filme após ouvir muitas críticas sendo algumas bem analiticas e até favoráveis ao diretor ,mas o ponto alto e que me leva a recomendar o filme é a densibilida

    • paloma 18 novembro, 2011 às 3:08 am Reply

      Entendi a parte da festa de casamento como um resumo de um período de transformação vivido pela justi

  6. Diana K.Martins 20 novembro, 2011 às 1:21 am Reply

    Oi, só uns comentários sobre a crítica:
    -As imagens do início, obviamente que elas não são lineares, digo, elas estão lá como uma opção artística do diretor, por exemplo, nós temos tanto a imagem de Melancolia se chocando contra a Terra (algo que acontece no “universo” do filme) quanto Justine caminhando vestida de noiva entre aquelas plantas (uma imagem literal do conceito de depressão que ela comenta com a irmã, lembra? “eu tento caminhar entre aquelas heras cinzentas, mas elas se enroscam em minhas pernas e é muito difícil de arrastar…”) e a tal imagem dos 3 corpos celestes, na minha opinião é a imagem que o diretor quis passar da personalidade de Justine, Claire e o filho dela…

    -John joga as malas da sogra na rua, e desculpe, mas se você tivesse prestado atenção (o que eu duvido, por que com certeza, examinando sua crítica, suponho que já estivesse de saco cheio…) não foi ele quem pegou as malas de volta, foi o mordomo que como ficamos sabendo mais tarde teve o trabalho de organizar a festa e queria que tudo saísse bem, sem dramas, tanto que ele vira a cara p/Justine.

    -Michael desistiu de Justine não por algo feito na festa, não por algo que saltou na nossa cara, mas por que o diretor apenas sugere que o relacionamento deles não estava indo as mil maravilhas pelo simples fato de Justine estar extremamente depressiva. Se você tivesse prestado atenção não apenas no que foi mostrado mas também no que foi sugerido, você notaria que todos tentaram agradar Justine, todos tentaram fazê-la feliz, inclusive o noivo, mas ninguém conseguiu. Por isso ele abandonou ela, por toda uma história que eles tiveram antes do casamento, pelas várias vezes que ela o decepcionou e pelo peso que ele cansou de carregar.

    -Sobre a segunda parte do filme ser monótona. Ok, cada um com a sua opinião. Eu não achei, pois é ali que “entendemos” Justine. Vimos ela melhorar da depressão, aliviada por que tudo vai acabar, ao passo de que Claire desaba, pois ela acreditava num futuro, ela tinha esperanças, ou seja, ela era a irmã “normal”.

    Enfim…Eu gostei e muito desse filme. Não sou fãããã do Von Trier. Não sou metida a intelectual, não sou uma cinéfila que entende “tudo de tudo”. Só apreciei bastante o filme como algo original, um filme que “por fora” trata do fim do mundo, mas na verdade é sobre a depressão.

    É um filme bem feito, com excelentes atuações, excelente trilha sonora e visual bonito. É intimista, é profundo, não linear, é sugestivo, sem explosões, sem cenas de ação,sem Megan Fox,enfim, sem tudo o que “um diretor que merece a nossa atenção “( ou seria $$$?) faria.

    É pra gente que se dispõe a admirar uma obra de arte.

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