Rock Brasilia: Era de Ouro

Crítica – Rock Brasilia: Era de Ouro

Durante o Festival do Rio, costumo deixar de lado documentários musicais. Nada contra, é que priorizo filmes toscos com pouca chance de entrar no circuito. Mas quando li sobre este Rock Brasilia: Era de Ouro, achei que era a minha cara – pra quem não sabe, gosto tanto do estilo que fundei uma banda só de rock nacional anos 80, a Perdidos na Selva (a banda ainda existe, mas não toco mais nela).

O documentário de Vladimir Carvalho fala sobre o “rock de Brasília” – enquanto o rock nacional estourava no eixo Rio-SP, três bandas que vieram da capital alcançaram o sucesso: Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial.

Além de imagens de arquivo, o filme mescla entrevistas atuais com outras feitas anos atrás. Isso era essencial, afinal, Renato Russo, morto há exatos 15 anos, é um dos personagens principais dessa galera. Esse artifício da “entrevista de arquivo” funciona muito bem. Os relatos de Renato Russo se encaixam perfeitamente com os depoimentos atuais de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá (Legião), André Mueller e Philippe Seabra (Plebe), Dinho Ouro Preto, Fê e Felipe Lemos (Capital). Até parece que as entrevistas foram feitas na mesma época.

Se por um lado as entrevistas misturadas funcionam, por outro, o texto fica um pouco confuso, principalmente na parte final, quando acontecem os relatos do que aconteceu com cada uma das três bandas depois dos anos 80. São três histórias entrecortadas, e cada uma delas nada tem a ver com as outras.

Outra coisa que senti falta foi das pessoas que fizeram parte da história mas não estão no filme. André Pretorius, um dos fundadores da banda seminal Aborto Elétrico (junto com Renato Russo e Fê Lemos), é citado como um personagem importante, mas o filme não fala do que aconteceu com ele (pesquisei na wikipedia, ele faleceu de overdose, em 1987, na Alemanha, então com 26 anos). O mesmo posso falar sobre os outros componentes das três bandas – Negrete (Legião), Loro Jones e Bozo Barretti (Capital), e Jander e Gutje (Plebe), que foram deixados de lado no documentário – Gutje fala rapidamente em uma entrevista antiga, Jander e Negrete aparecem em imagens de arquivo, Loro Jones é ignorado, e Barretti é citado como alguém que atrapalhou o sucesso do Capital.

Apesar disso, gostei do filme, que documenta passagens históricas interessantes, como o famoso show de Brasília onde Renato foi atacado por um fã e depois comprou briga com os seguranças, ou um relato sobre a primeira viagem da Plebe, ou ainda as reações de Chico e Caetano ao verem a Legião pela primeira vez em seu programa de tv na Globo.

Imperdível para fãs de rock nacional anos 80!

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